A palavra final é do médico

15 de fevereiro, 2018
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Alexandre Secco

Em um momento em que a tecnologia oferece tantas promessas, as pessoas precisam mais do que nunca de alguém que saiba mostrar o caminho certo

A medicina nunca ofereceu tantos recursos. Entramos na era das terapias personalizadas, estamos aprendemos novas siglas e palavras: CAR-T, cetamina, microbioma, stents bio-absorvíveis... Os centros médicos já tentam incorporar impressoras 3D para fabricar próteses e a realidade virtual ajuda a preparar cirurgiões. A cura de vários tipos de câncer é uma realidade.

 

Com tantas alternativas, a vida dos médicos deveria estar mais fácil. Porém, nem sempre é o que se percebe. O que alguns perguntam é: os médicos estariam perdendo seu espaço? Estariam se distanciando dos pacientes?

 

Hoje os pacientes querem participar cada vez mais do seu tratamento. Usam equipamentos para monitorar a própria saúde e, antes de passar no consultório, adquiriram o hábito de visitar o “Dr. Google”. Depois, ao sair como um receituário ou pedido nas mãos voltam à internet para conferir a prescrição. Quando não se sentem satisfeitos ou bem atendidos, reclamam. Médicos e clínicas vem sendo alvos de um número crescente de reclamações em sites especializados em defesa do consumidor.

As mudanças ocorrem em um momento curioso, em que a avalanche de informação correndo pela internet não parece nos tornar mais preparados ou mais bem informados para cuidar de nós mesmos. São tantas notícias falsas e verdadeiras, novas e velhas e tantas as novidades que, cada vez mais, até os médicos experimentam dificuldades para entender o que está acontecendo e para explicar aos seus pacientes.

 

Os médicos precisam ocupar melhor seu lugar nesse mundo. Médicos podem se diferenciar pelo conhecimento singular, pelos vínculos que estabelecem com a comunidade e podem continuar presentes na vida dos pacientes mesmo depois da consulta. Será mais fácil se a tecnologia e novas ferramentas de comunicação forem encaradas como aliadas.

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